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UMA EXPERIÊNCIA DE APROPRIAÇÃO DO MEIO DIGITAL, UM BLOG COMO ENSAIO

Janeiro 9, 2008

 

Olá,

Este é um blog ensaio. Seu objetivo é registrar, aproveitando as potencialidades desse tipo de formato, uma experiência de apropriação dos meios digitais por jovens ligados a movimentos sociais. Essa experiência foi realizada, entre Agosto e Novembro de 2007 com um grupo de dez jovens, de dezoito a vinte e três anos, moradores de bairros pobres do Recife. A proposta era capacitá-los, técnica e conceitualmente, para produzir e difundir conteúdos para a Internet, especialmente um podcast. A experiência envolveu as ONGs ETAPAS (Equipe Técnica de Assessoria Pesquisa e Ação Social) e NEIMFA (Núcleo Educacional Irmãos Menores de Francisco de Assis) e esteve inserida dentro da minha prática como monitor em oficinas de mídias digitais para jovens e adolescentes em ações de extensão desenvolvidas pelo Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco. Entre os objetivos do projeto, está a criação de uma Estação Digital de Difusão de Conteúdos. Essa experiência, assim como seu relato, foi proposta também como meu Trabalho de Conclusão do Curso (TCC) na graduação em Comunicação Social (habilitação em Radialismo), sob a orientação da professora Yvana Fechine.

O ponto de partida para essa experiência foi a prática extensionista da UFPE no Coque, uma comunidade estigmatizada no Recife como uma das mais violentas da capital. Além dos graves problemas de desemprego, educação, saúde, moradia e saneamento, os moradores do Coque sofrem com o preconceito provocado pela atuação histórica na comunidade de grupos criminosos ligados, sobretudo, ao narcotráfico. Programas de rádio e TV referem-se, com naturalidade, à “gente perigosa do Coque” e, nos jornais locais, o bairro já foi apresentado até como a “morada da morte”. Moradores do bairro testemunham que a simples menção à palavra Coque no currículo reduz suas chances de conseguir um emprego. Nesse cenário, a apropriação dos meios digitais para produzir e difundir conteúdos é mais que uma possibilidade, é uma necessidade. Mas, como você poderá observar, nos registros aqui reunidos, é ainda uma realidade distante dos movimentos sociais.

O relato dessa experiência, na forma de um ensaio digital, foi estruturado em três grandes blocos. O primeiro deles, INTERNET E MOVIMENTO SOCIAL, apresenta brevemente a história da luta pela democratização das comunicações e de como essa luta se encaminha para o meio digital. O segundo, O COQUE COMO REFERÊNCIA , conta um pouco do histórico de preconceito que atua sobre a comunidade que motivou essa experiência. Discute ainda a aproximação entre a comunidade e a Universidade Federal de Pernambuco e mostra como um jornal-laboratório do curso de Jornalismo se desdobrou em uma grande experiência de extensão em comunicação. O bloco termina apresentando a urgência dessa comunidade construir, também na internet, discursos contra o estigma de ser considerado a “morada da morte”. O terceiro e último bloco, MÍDIAS DIGITAIS E APROPRIAÇÕES, se constitui mais especificamente no relato de minhas atividades junto aos dez jovens de bairros pobres. É também o espaço para algumas considerações minhas (e outras tantas suas, espero) sobre essa experiência. Há ainda uma seção, denominada FRAGMENTOS DE ÁUDIO, que permite ouvir trechos dos depoimentos coletados e, dessa forma, deslocar-se para um patamar um pouco mais próximo daqueles que me ajudaram a construir essa reflexão. Aguardo então seus comentários e sugestões, pois a experiência aqui relatada longe de ser o final de um processo é apenas o começo de uma proposta maior de “ocupação” da rede pela periferia!

 

lgor Cabral

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