
Coque, o vizinho pobre e incômodo da Ilha do Leite e de Boa Viagem
O Coque é uma ilha (Ilha Joana Bezerra) de 133 hectares, na qual vivem aproximadamente 40 mil pessoas, apesar dos dados oficiais (censo 2000) só darem conta de 12, 755 habitantes. A área está, localizada a cerca de 2,5 km do centro da cidade e 3,5 km de Boa Viagem, um dos bairros de maior renda da capital, concentrando hoje grande oferta de serviços, comércio e investimentos imobiliários. Também faz fronteira com a Ilha do Leite, o mais importante pólo médico da capital. A vizinhança com áreas nobres da cidade evidencia as desigualdades e acirra, na mesma medida, os conflitos sociais. É comum, por exemplo, que assaltos registrados nas imediações da Ilha do Leite e de Boa Viagem sejam atribuídos a moradores do Coque.
O Coque surgiu a partir da ocupação irregular da área, sendo a maioria dos seus moradores constituída por famílias que migraram do Agreste e da Zona da Mata. Hoje, O Coque é considerado uma ZEIS (zona especial de interesse social). Apesar disso, a comunidade vem sendo historicamente ignorado pelas políticas públicas. Desde o início do século a posse da área é disputada pelos moradores. Na década de 1940, a situação se agrava com as migrações do interior do Estado e o Governo Federal firma um contrato como município no sentido de garantir o repasse das terras da Ilha Joana Bezerra à população. As terras só vem a ser cedidas em 1978, ainda sob a condição de que fossem realizadas obras de urbanização da área, a fim de incluir a região no plano de desenvolvimento da cidade de Recife. Em 1983, foi votada e sancionada a lei de uso e ocupação do Solo do Recife, que reconhece e institucionaliza 27 assentamentos habitacionais de baixa renda, classificando-os então como ZEIS. De lá para cá ainda não há registro da entrega de nenhum título de posse das terras aos moradores da comunidade.
A qualidade de vida no bairro e o atendimento das necessidades básicas de infra-estrutura, saúde, educação, alimentação e emprego são bastante precárias. 57% da população sobrevivem com renda média mensal aproximada entre ½ e 01 salário mínimo, m índice superior ao do próprio Estado, que tem 53,8% da população nessa faixa de renda, conforme o Mapa do Fim da fome II. É difícil falar em qualidade de vida, na concepção oficial do termo, no Coque: é a região que apresentou o pior índice de desenvolvimento humano (IDH-M), de acordo com o Atlas do Recife. Tem apenas 68,9% de seus domicílios com água encanada (bairros como o Derby têm 99.45%) e menos de 1% da área possuí saneamento básico. O Coque tem o maior número de mães entre 15 e17 anos – 30% das meninas nessa faixa tem pelo menos um filho -, um número também muito maior que a média de Recife que é de 8%.
Os jovens constituem 13% da população da comunidade. Entre eles, a falta de acesso a educação é flagrante: dos jovens entre 15 e 17 anos 12% são analfabetos e menos de 60% estão na escola. Entre aqueles que têm entre 18 a 24 anos o índice de analfabetismo é ainda maior, beirando os 13%, e apenas 0,8% deles completou 12 anos de estudo. Universitários? Dos 48 mil habitantes do Coque estima-se que haja uns 10, segundo Aurino Lima, um dos fundadores do Núcleo Educacional Irmãos Menotes de Francisco de Assis (NEMFA), uma ONG que atua na comunidade desde 1987.
Contrastando com o quadro de pobreza em que vive o Coque, o interesse imobiliário cresce rapidamente, já que a área é muito bem localizada. Em função disso, muitos moradores do Coque já temem por uma uma “expulsão branca”. Ao redor da comunidade surgiram nos últimos anos o complexo hospitalar Hope-Esperança (que deu origem ao pólo médio do Recife), o Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano (conhecido como “fórum do Recife”, o “coração” do judiciário pernambucano) e o espaço da AACD – Associação de Assistência à Criança Deficiente. Estão previstas ainda a implantação de outros equipamentos públicos na região. Um deles é a nova sede da Ordem dos advogados Brasil, que ficará na área próxima ao fórum, além do Procon e da Assistência Judiciária Municipal. A implantação de tais equipamentos tem por objetivo incentivar a instalação, nas imediações, de cartórios, escritórios de advocacia e outros empreendimentos similares.
Um outro empreendimento já anunciado pela Prefeitura do Recife é a Academia da Cidade, conjunto de equipamentos de ginástica destinados ao uso da comunidade. A academia a ser implantada será a maior da cidade, nas palavras do prefeito do Recife, João Paulo: “A Academia do Coque terá um significado especial para o município. Quando for inaugurado, não será apenas um espaço de convivência e de lazer para a população praticar exercícios físicos, mas um cartão-postal para a cidade” (em http://jc.uol.com.br/jornal/2007/12/11/not_261541.php). Numa vista que fiz ao Coque, pouco depois da notícia da implantação da academia, era evidente o sentimento de desconfiança entre os seus moradores. Junior. José, o Rato, comentou comigo: “engraçado é que eles colocam a academia ali, do lado do fórum, e não dentro da comunidade, pros advogados poderem fazer cooper também, né?” A finalidade da implantação deste equipamento nas imediações do Coque não parece clara nem mesmo para a secretária de Saúde, Tereza Campos, para quem a instalação desse equipamento no Coque não parece ter por objetivo a difusão de hábitos de vida saudáveis ou a criação de um espaço de convivência na comunidade: “Temos a experiência de que quando ocupamos os locais ajudamos a amenizar os índices de violência” (http://www.folhape.com.br/folhape/materia.asp?data_edicao=11/12/2007&mat=73117)
DOCUMENTOS UTILIZADOS
- COQUE, Jornal-laboratório do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco. 6º período, 2005.2
- Folder de divulgação das Açôes Coque Vive
- MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO/SECRETARIA DE ENSINO SUPERIOR – Rede de Agentes de Educomunicação Solidária 2006-2007. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/sesu/index.php?option=content&task=view&id=442&Itemid=303
- MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO/SECRETARIA DE ENSINO SUPERIOR – Programa de Formação de Agentes de Mediação Socio cultural 2007-2008. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/sesu/index.php?option=content&task=view&id=442&Itemid=303
- PROEXT PETROBRAS – Rede de Comunicação, Educação e Cultura: Filhas e Filhos do Coque, 2007. Disponível em: http://www.ufsj.edu.br/Pagina/videx/programa_de_apoio_a_cultura.php
- PROEXT/UFPE – Rede de Agentes de Educomunicação Solidária, 2007-2008. Disponível em:
http://www.proext.ufpe.br/noticias/2007/julho/dia06.01%20-%20Resultado%20BEX.html
Eu acho que isso não tem nada a ver….a população de classe média pode muito bem assaltar que nem aqueles homens que assaltaram e espancaram uma empregada….todos eram de classe média-alta…
Paula
Como seria maravilhoso se o nosso povo tivesse acesso a educação. A nossa cidade é tão bonita e rica e ao mesmo tempo tão feia e pobre.
Se, pelo menos, todos tivessem acesso à educação. Mas, nem o pobre, nem o rico são realmente educados neste país.
A natalidade, a mortalidade teriam índices menores. Teríamos menos gente nos hospitais, menos gente com as mãos armadas, menos medo deles e de nós mesmos. Seriamos um povo livre para realmente saber o que é a vida.
Olá, gostaria de saber a fonte deste número de habitantes , 40.000. Estou fazendo uma pesquisa sobre a comunidade e já ouvi este número e já li em alguns lugares que esta fonte é do Mapa do Fim da Fome 2, vc poderia me esclarecer ?
Obrigado !
essas pesssoas q vivem no coque eram pescador de peixe crustassul e viveam disso mas condecorre do tempo foram se acabando mangue e rios com as invasão e as poluições e não dero trabalho para esse povo e eles vem vivendo de que? de cata lixo puxando uma carroça seja de cavalo ou burro sem ra bo, se encontram nessa cituação por que? por cupa dos nosso gestore que quanto mas obras mas desvio de verbas e os roubos nunca se acaba.